Benito Barreto receberá prêmio na Academia Brasileira de Letras na próxima sexta
O livro Toque de silêncio em Vila Rica, do escritor mineiro Benito Barreto, receberá o prêmio “José Afrânio Moreira Duarte”, concedido pela diretoria da União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico do ano. A solenidade de premiação será realizada na próxima sexta-feira, 28 de outubro, às 15h, no Teatro R. Magalhães Jr., na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.
Toque de silêncio em Vila Rica é o terceiro volume da tetralogia Saga do Caminho Novo, que em 2010 já havia sido contemplada como melhor romance histórico do ano com o prêmio “João Felício dos Santos”, também concedido pela UBE-RJ. “Os prêmios da União Brasileira de Escritores me gratificam e comovem profundamente, como reconhecimento e aplauso que são ao meu trabalho. O galardão é tão mais significativo porque emana de uma das entidades mais representativas da cultura e da literatura em nosso país”, afirma Barreto.
“Os prêmios têm um significado a mais, para mim, por virem do Rio de Janeiro e valorizarem uma obra que recria a fundação e os fundamentos do Brasil no seu todo, como nação, mas trabalha sobretudo com uma matéria prima mineira, com a história de Minas Gerais”, pontua o autor.
Desfecho da Saga
Para Benito Barreto, os últimos meses foram de trabalho intenso para chegar ao final da Saga do Caminho Novo. O autor terminou agora em outubro a redação do livro Despojos: a festa da morte na corte, que será lançado em abril de 2012. “O quarto e último volume da Saga já está pronto, em processo de revisão. Este livro, porém, custou-me bem mais que os outros, porque é o estuário, por assim dizer, dos três primeiros. Ele recebe e absorve todos os cortes, acréscimos, mudanças, nascimentos e mortes que foram acontecendo no curso da Saga”, explica o autor.
Desde 2009, ano em que completou 80 anos, o romancista produziu quatro livros, que somam cerca de duas mil páginas dedicadas à história dos inconfidentes. “A sensação do objetivo alcançado, da missão cumprida é, certamente, algo bom e gratificante para qualquer um de nós. É inegavelmente compensador, me conforta e alegra cumprir com a promessa, que eu chamaria até de dívida, para com o público que me tem acompanhado”, afirma Barreto.
Festa da morte na corte
“A Saga recria a Inconfidência em toda a sua abrangência e multiplicidade, como nunca antes. Os livros narram o momento histórico da concepção e primeiros passos, em Minas, da independência e fundação do Brasil como povo e nação, com o empenho de tantos e a perda de muitas vidas nesta luta”, conta Benito.
No quarto e último volume da Saga, o Reino responde à insurgência, em Minas, com a repressão aos inconfidentes. Na Capitania, vasta operação militar empreende a caça, dispersão, prisão ou morte dos bandos de garimpeiros armados. Padre Rolim, inconfidente que os convocara e devia chefiá-los, logo virá a ser ferido e preso em combate. Assim, desvanece qualquer hipótese ou esperança de resistência na Capitania rebelada.
Finda o ano fatal de 1789 e o território ficcional do livro desloca-se, com os presos, para a capital do Vice-Reino. O Rio de Janeiro já está sendo atingido e, dia após dia, atropeladamente, possuído de tensão e medo. A tragédia iniciada com as prisões e o terror, no Rio e em Vila Rica, vai se completar em 21 de abril de 1792, com a “festa da morte na corte” que dá título ao livro: a execução de Tiradentes e o degredo para a África dos demais inconfidentes.
O prêmio da UBE-RJ
A UBE-RJ foi fundada em 1958, mesmo ano de criação da união em âmbito nacional, e concede prêmios para obras literárias de destaque desde então. A premiação, atualmente, é anual e ocorre sempre no mês de outubro. Os nomes dos prêmios homenageiam escritores brasileiros e são renovados ano a ano.
O prêmio para o melhor romance histórico de 2011 reverencia o escritor José Afrânio Moreira Duarte, que nasceu em Alvinópolis (MG), em 1931, e faleceu em 2008. Foi contista, ensaísta, crítico literário e poeta. Publicou O Menino do Parque (1966), Fernando Pessoa e os caminhos da solidão (1968), A Muralha de Vidro (1971) e Tempo de Narciso (1975), dentre outros.
Na edição 2011, a diretoria da UBE-RJ concederá 24 prêmios para categorias como romance, poesia, conto, crônica, tradução e crítica literária, entre outros. Na mesma ocasião, serão contemplados os vencedores do Concurso Internacional de Literatura UBE-RJ 2011 e da Medalha Antônio Olinto.
O autor
Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929 na cidade de Dores de Guanhães, Nordeste de Minas. Além de escritor, é também jornalista e empresário.
Em sua obra literária, destaca-se a tetralogia Os Guaianãs, formada pelos livros Plataforma vazia (1962), Capela dos homens (1968), Mutirão para matar (1974) e Cafaia (1975). A tetralogia recebeu diversos prêmios e teve dois de seus volumes traduzidos para o russo e publicados na antiga União Soviética em 1980, com tiragem de 100 mil exemplares. É uma referência importante da prosa regional brasileira e narra uma heróica história de resistência, tendo como tema principal uma guerrilha rural hipotética nos sertões baianos e mineiros durante as décadas de 1960 e 70.
Barreto publicou ainda Vagagem (1978), que se apresenta como um livro de “viagens e memórias sem importância”; A última barricada (1993), romance em folhetins improvisados, que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de Os Guaianãs; e Um caso de fidelidade (2000), que reflete as incertezas do mundo globalizado e pós-ideológico que se sucede à derrocada do socialismo.
Em 2009 e 2010, publicou Os idos de maio e Bardos e viúvas, que fazem parte da Saga do Caminho Novo. A tetralogia recebeu o prêmio “João Felício dos Santos”, concedido pela União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico de 2010.
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Rachel Barreto – rachelbarreto@globo.com / (31) 8804-4105

