Alberto Pinto Coelho
Vice-governador de Minas
Conheci Benito Barreto por intermédio do embaixador José Aparecido de Oliveira.
Se me detivesse a procurar uma expressão de admiração, de respeito, de consideração, de quase paterna amizade, – de idolatria mesmo – pelo saudoso José Aparecido, sei que me faltariam palavras, ia constatar um abismo, coisa que só o sentimento consegue manifestar e dar a verdadeira dimensão. Com tamanho afeto por José Aparecido e, sempre que possível, sorvendo de sua doce companhia, fui brindado também pelo convívio e pela extensão da amizade de diversos de seus inumeráveis companheiros.
Um deles era Benito Barreto. Inteligente, condição básica para ser amigo de José Aparecido, falante, articulado, capaz de agradabilíssimas e intermináveis conversas, cujo pano de fundo versava sempre sobre algum aspecto da rica natureza do comportamento humano. Desse modo, Benito Barreto entrou, em definitivo, na minha vida.
“Um prefácio para meu novo livro”, pediu-me Barreto.
Afinal, que competência vê em mim o Benito para lançar tarefa desta monta, ao “cobrar-me” tamanha prova de carinho e zelo pela amizade ?
Bem, como não sou homem de refugar desafios, me despi de pseudas modéstias e, com atenção e interesse, pus-me a folhear os originais deste que é o terceiro volume da Saga do Caminho Novo, que leva o título de “Toque de Silêncio em Vila Rica”.
Já conhecedor da capacidade literária de Benito, explícita de modo intenso nos volumes anteriores da mesma Saga, de seu texto vigoroso – contundente por vezes –, mas de uma fluidez que emociona e encanta sempre, vi-me mais uma vez, enfeitiçado pelas palavras, verdadeiros acordes de letras.
Tamanha consistência, clareza narrativa e capacidade de envolvimento e comprometimento são atributos raros, mesmo em autores mais famosos que Benito Barreto.
Mas o estilo de Benito, amizades à parte, é peculiar e intenso.
Dignos de especial registro,– e estou certo que os felizardos leitores da obra concordarão comigo – os diálogos foram tão bem construídos, tão bem estruturados, que conseguem nos passar aspectos sensoriais do enredo, nos remetem a aromas, transmitem ruídos, saltam os silêncios, repercutem as angústias, ficam perceptíveis os dramas e as emoções contidas em cada um dos históricos personagens, como se participássemos, os que leem, ativamente de cada cena revelada.
Dono de um prodigioso intelecto, Benito vai tecendo e construindo, nesta epopeia ambientada na Minas inconfidente, um cipoal, uma enorme e conclusiva teia de sentimentos e emoções que nos remetem, de imediato, tal qual maquina do tempo, ao cerne da luta e da motivação daquele homem “ensandecido de esperança” que mencionava nosso líder Tancredo Neves quando se referia, orgulhosamente, ao protomártir da Inconfidência, o herói Tiradentes.
Leitura motivadora, da qual o leitor não se afastará sem grande incômodo ou lamento, “Toque de silêncio em Vila Rica” é daqueles livros marcantes, capazes de nos conduzir para outros títulos anteriores deste amigo autor e, também, para leituras adjacentes ao tema, no agradável afã de nos nutrirmos mais da mesma e saborosa temática.
Enfim, diante da difícil missão de apresentar a quem o mundo das letras trata com tanta intimidade, atesto, de maneira vibrante, o elevado prazer que nos propõe este notável “Toque de silêncio”. Visto de modo peculiar e inquietante pelo autor, que chega ao ápice de sua portentosa carreira literária, este novo livro de Benito Barreto nos confirma, de modo insofismável, a enorme satisfação que nos proporciona uma boa leitura.
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