Escritor mineiro Benito Barreto doa 1,6 mil livros para bibliotecas
Bibliotecas públicas de todo o Brasil vão receber, agora em junho, exemplares do último livro do escritor mineiro Benito Barreto, Toque de silêncio em Vila Rica. A doação de 1,6 mil exemplares, por meio da Lei Rouanet, foi recebida pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, que serão responsáveis por repassar os livros para todos os Estados da federação e, em especial, para as 764 bibliotecas municipais mineiras.
O livro foi doado, também, às 22 bibliotecas públicas de Belo Horizonte e às 25 bibliotecas comunitárias da Grande BH. O autor doou, ainda, 240 exemplares das suas obras anteriores – Os idos de maio e Bardos e viúvas.
O escritor destaca a importância da iniciativa para ajudar a incentivar a leitura. “Hoje, com as exceções de sempre, lê-se o que a mídia consagra e aponta. E tal não é o meu caso, nem do meu tema”, afirma. “Entretanto, não se poderá dizer que não me esforcei em lá chegar, ao público e ao leitor”, completa.
Convite ao conhecimento
As três obras fazem parte da tetralogia Saga do Caminho Novo, em que o autor recria, de forma ficcional, a derrocada da Conjuração Mineira de 1789. “Temos, todos nós, um conhecimento escolar e, via de regra, deformado da Inconfidência”, acredita Barreto. Para o escritor, existe uma “desfiguração e descrédito dessa fundamental contribuição de Minas à fundação e independência do Brasil, daí resultando a alarmante indiferença popular por esses homens, suas vidas e seus feitos”.
O autor ressalta que, mais de duzentos anos depois, a Conjuração Mineira tem muito a ensinar aos leitores contemporâneos: “Antes de mais nada, civismo, pois foi uma vigorosa e dramática afirmação do nosso povo, quando ainda em formação. A Inconfidência patenteou a nossa vocação para a independência e a liberdade. E ensina a todos nós, e para todos os tempos, que revolução não se faz sem a arregimentação do povo e a sua ativa participação no movimento”.
“A História de cada povo é seu berço, são as raízes que o ligam e entrelaçam com seu chão, lhe emprestando a chamada cor local e o sotaque, essa coisa intrínseca ou alma nacional de cada povo e que, hoje mais que nunca, há que cultivar e defender”, conclui Barreto.
Incentivo à leitura
“Os livros doados através das leis de incentivo à cultura são sempre muito bem-vindos”, afirma a diretora de Acervo da Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, Maria da Conceição Araújo Bernardes. “É um grande incentivo à formação de um hábito de leitura não só para estudantes, mas para aqueles que buscam a literatura pelo prazer”, ressalta.
A diretora destaca, ainda, a importância da distribuição para bibliotecas de regiões mais carentes, que têm dificuldades para reforçar seus acervos. “Em Minas, é o caso das bibliotecas da região Norte do Estado, como os vales do Jequitinhonha e Mucuri. E essas bibliotecas têm um papel fundamental, pois servem de apoio às escolas da região”.
Em Belo Horizonte, as obras serão encaminhadas também à Biblioteca Pública Luiz de Bessa, onde passarão a integrar a Coleção Mineiriana. “É uma coleção de grande relevância, que reúne obras produzidas por autores mineiros, com temática relacionada ao Estado”, explica Conceição Bernardes.
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