Arquivo do Autor para Letícia Barreto

03
nov
11

Escritor mineiro é premiado por romance histórico

Benito Barreto receberá prêmio na Academia Brasileira de Letras na próxima sexta

 

 

O livro Toque de silêncio em Vila Rica, do escritor mineiro Benito Barreto, receberá o prêmio “José Afrânio Moreira Duarte”, concedido pela diretoria da União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico do ano. A solenidade de premiação será realizada na próxima sexta-feira, 28 de outubro, às 15h, no Teatro R. Magalhães Jr., na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

 

Toque de silêncio em Vila Rica é o terceiro volume da tetralogia Saga do Caminho Novo, que em 2010 já havia sido contemplada como melhor romance histórico do ano com o prêmio “João Felício dos Santos”, também concedido pela UBE-RJ. “Os prêmios da União Brasileira de Escritores me gratificam e comovem profundamente, como reconhecimento e aplauso que são ao meu trabalho. O galardão é tão mais significativo porque emana de uma das entidades mais representativas da cultura e da literatura em nosso país”, afirma Barreto.

 

“Os prêmios têm um significado a mais, para mim, por virem do Rio de Janeiro e valorizarem uma obra que recria a fundação e os fundamentos do Brasil no seu todo, como nação, mas trabalha sobretudo com uma matéria prima mineira, com a história de Minas Gerais”, pontua o autor.

 

 

Desfecho da Saga

 

Para Benito Barreto, os últimos meses foram de trabalho intenso para chegar ao final da Saga do Caminho Novo. O autor terminou agora em outubro a redação do livro Despojos: a festa da morte na corte, que será lançado em abril de 2012. “O quarto e último volume da Saga já está pronto, em processo de revisão. Este livro, porém, custou-me bem mais que os outros, porque é o estuário, por assim dizer, dos três primeiros. Ele recebe e absorve todos os cortes, acréscimos, mudanças, nascimentos e mortes que foram acontecendo no curso da Saga”, explica o autor.

 

Desde 2009, ano em que completou 80 anos, o romancista produziu quatro livros, que somam cerca de duas mil páginas dedicadas à história dos inconfidentes. “A sensação do objetivo alcançado, da missão cumprida é, certamente, algo bom e gratificante para qualquer um de nós. É inegavelmente compensador, me conforta e alegra cumprir com a promessa, que eu chamaria até de dívida, para com o público que me tem acompanhado”, afirma Barreto.

 

 

Festa da morte na corte

 

“A Saga recria a Inconfidência em toda a sua abrangência e multiplicidade, como nunca antes. Os livros narram o momento histórico da concepção e primeiros passos, em Minas, da independência e fundação do Brasil como povo e nação, com o empenho de tantos e a perda de muitas vidas nesta luta”, conta Benito.

 

No quarto e último volume da Saga, o Reino responde à insurgência, em Minas, com a repressão aos inconfidentes. Na Capitania, vasta operação militar empreende a caça, dispersão, prisão ou morte dos bandos de garimpeiros armados. Padre Rolim, inconfidente que os convocara e devia chefiá-los, logo virá a ser ferido e preso em combate. Assim, desvanece qualquer hipótese ou esperança de resistência na Capitania rebelada.

 

Finda o ano fatal de 1789 e o território ficcional do livro desloca-se, com os presos, para a capital do Vice-Reino. O Rio de Janeiro já está sendo atingido e, dia após dia, atropeladamente, possuído de tensão e medo. A tragédia iniciada com as prisões e o terror, no Rio e em Vila Rica, vai se completar em 21 de abril de 1792, com a “festa da morte na corte” que dá título ao livro: a execução de Tiradentes e o degredo para a África dos demais inconfidentes.

 

 

 

O prêmio da UBE-RJ

 

A UBE-RJ foi fundada em 1958, mesmo ano de criação da união em âmbito nacional, e concede prêmios para obras literárias de destaque desde então. A premiação, atualmente, é anual e ocorre sempre no mês de outubro. Os nomes dos prêmios homenageiam escritores brasileiros e são renovados ano a ano.

 

O prêmio para o melhor romance histórico de 2011 reverencia o escritor José Afrânio Moreira Duarte, que nasceu em Alvinópolis (MG), em 1931, e faleceu em 2008. Foi contista, ensaísta, crítico literário e poeta. Publicou O Menino do Parque (1966), Fernando Pessoa e os caminhos da solidão (1968), A Muralha de Vidro (1971) e Tempo de Narciso (1975), dentre outros.

 

Na edição 2011, a diretoria da UBE-RJ concederá 24 prêmios para categorias como romance, poesia, conto, crônica, tradução e crítica literária, entre outros. Na mesma ocasião, serão contemplados os vencedores do Concurso Internacional de Literatura UBE-RJ 2011 e da Medalha Antônio Olinto.

 

 

O autor

 

Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929 na cidade de Dores de Guanhães, Nordeste de Minas. Além de escritor, é também jornalista e empresário.

 

Em sua obra literária, destaca-se a tetralogia Os Guaianãs, formada pelos livros Plataforma vazia (1962), Capela dos homens (1968), Mutirão para matar (1974) e Cafaia (1975). A tetralogia recebeu diversos prêmios e teve dois de seus volumes traduzidos para o russo e publicados na antiga União Soviética em 1980, com tiragem de 100 mil exemplares. É uma referência importante da prosa regional brasileira e narra uma heróica história de resistência, tendo como tema principal uma guerrilha rural hipotética nos sertões baianos e mineiros durante as décadas de 1960 e 70.

 

Barreto publicou ainda Vagagem (1978), que se apresenta como um livro de “viagens e memórias sem importância”; A última barricada (1993), romance em folhetins improvisados, que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de Os Guaianãs; e Um caso de fidelidade (2000), que reflete as incertezas do mundo globalizado e pós-ideológico que se sucede à derrocada do socialismo.

 

Em 2009 e 2010, publicou Os idos de maio e Bardos e viúvas, que fazem parte da Saga do Caminho Novo. A tetralogia recebeu o prêmio “João Felício dos Santos”, concedido pela União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico de 2010.

 

 

 

Informações adicionais e agendamento de entrevistas:

Rachel Barreto – rachelbarreto@globo.com / (31) 8804-4105

 

 

26
jun
11

Entrevista TVUNIBH

10
jun
11

Inconfidência ao alcance do povo

Escritor mineiro Benito Barreto doa 1,6 mil livros para bibliotecas

Bibliotecas públicas de todo o Brasil vão receber, agora em junho, exemplares do último livro do escritor mineiro Benito Barreto, Toque de silêncio em Vila Rica. A doação de 1,6 mil exemplares, por meio da Lei Rouanet, foi recebida pela Fundação Biblioteca Nacional e pela Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, que serão responsáveis por repassar os livros para todos os Estados da federação e, em especial, para as 764 bibliotecas municipais mineiras.

O livro foi doado, também, às 22 bibliotecas públicas de Belo Horizonte e às 25 bibliotecas comunitárias da Grande BH. O autor doou, ainda, 240 exemplares das suas obras anteriores – Os idos de maio e Bardos e viúvas.

O escritor destaca a importância da iniciativa para ajudar a incentivar a leitura. “Hoje, com as exceções de sempre, lê-se o que a mídia consagra e aponta. E tal não é o meu caso, nem do meu tema”, afirma. “Entretanto, não se poderá dizer que não me esforcei em lá chegar, ao público e ao leitor”, completa.

Convite ao conhecimento

As três obras fazem parte da tetralogia Saga do Caminho Novo, em que o autor recria, de forma ficcional, a derrocada da Conjuração Mineira de 1789. “Temos, todos nós, um conhecimento escolar e, via de regra, deformado da Inconfidência”, acredita Barreto. Para o escritor, existe uma “desfiguração e descrédito dessa fundamental contribuição de Minas à fundação e independência do Brasil, daí resultando a alarmante indiferença popular por esses homens, suas vidas e seus feitos”.

O autor ressalta que, mais de duzentos anos depois, a Conjuração Mineira tem muito a ensinar aos leitores contemporâneos: “Antes de mais nada, civismo, pois foi uma vigorosa e dramática afirmação do nosso povo, quando ainda em formação. A Inconfidência patenteou a nossa vocação para a independência e a liberdade. E ensina a todos nós, e para todos os tempos, que revolução não se faz sem a arregimentação do povo e a sua ativa participação no movimento”.

“A História de cada povo é seu berço, são as raízes que o ligam e entrelaçam com seu chão, lhe emprestando a chamada cor local e o sotaque, essa coisa intrínseca ou alma nacional de cada povo e que, hoje mais que nunca, há que cultivar e defender”, conclui Barreto.

Incentivo à leitura

“Os livros doados através das leis de incentivo à cultura são sempre muito bem-vindos”, afirma a diretora de Acervo da Superintendência de Bibliotecas Públicas de Minas Gerais, Maria da Conceição Araújo Bernardes. “É um grande incentivo à formação de um hábito de leitura não só para estudantes, mas para aqueles que buscam a literatura pelo prazer”, ressalta.

A diretora destaca, ainda, a importância da distribuição para bibliotecas de regiões mais carentes, que têm dificuldades para reforçar seus acervos. “Em Minas, é o caso das bibliotecas da região Norte do Estado, como os vales do Jequitinhonha e Mucuri. E essas bibliotecas têm um papel fundamental, pois servem de apoio às escolas da região”.

Em Belo Horizonte, as obras serão encaminhadas também à Biblioteca Pública Luiz de Bessa, onde passarão a integrar a Coleção Mineiriana. “É uma coleção de grande relevância, que reúne obras produzidas por autores mineiros, com temática relacionada ao Estado”, explica Conceição Bernardes.

28
abr
11

Entrevista para a rádio Elo Fm

http://www.elofm.com.br/contracapa

19
abr
11

Romance histórico presente nas comemorações da Inconfidência, em Ouro Preto

O romance histórico Toque de silêncio em Vila Rica, do escritor mineiro Benito Barreto, estará presente na solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência, no dia 21 de abril, às 10h, em Ouro Preto. Em 2011, o evento homenageia 250 personalidades que contribuíram para o desenvolvimento econômico, cultural e social de Minas e do Brasil. Através de apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o livro será presenteado a cada um dos contemplados com a comenda, dentre eles a presidenta Dilma Rousseff.

“Estou satisfeito, e não pouco, com isso. Quem escreve quer ser lido e o livro, qualquer livro, está a caminho em busca do seu público”, diz Barreto. O autor destaca a importância de participar da solenidade em 2011, junto às comemorações dos 300 anos de Ouro Preto, a antiga Vila Rica do livro. “Este ano, também, os restos desgarrados de três inconfidentes estarão sendo trazidos e juntados aos de seus companheiros, no Museu da Inconfidência. E tudo isso bem no dia e na Praça de Tiradentes. São muitas as coincidências”, completa, lembrando que o livro conta com prefácios do prefeito de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, e do vice-governador de Minas, Alberto Pinto Coelho. 

A medalha - A Medalha da Inconfidência é entregue todos os anos a pessoas físicas e jurídicas que tenham contribuído para o desenvolvimento econômico, cultural e social do Estado e do Brasil. Foi criada pela Lei 882, de 1952, pelo então governador Juscelino Kubitschek, e consolidada pelo Decreto 38.690, de 1997. Ela é concedida nos graus Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência. Os agraciados recebem também um diploma assinado pelo governador, pelo presidente do Conselho e pelo chanceler da Medalha.

03
abr
11

Romance recria momento trágico da Inconfidência

Toque de silêncio em Vila Rica, de Benito Barreto, será lançado dia 12/4

 

O escritor mineiro Benito Barreto participa, no dia 12 de abril, do projeto Bate papo com o autor, na Academia Mineira de Letras (rua da Bahia 1.466, Lourdes, Belo Horizonte/MG). O evento conta com uma palestra, às 19h30, seguida do lançamento do livro Toque de silêncio em Vila Rica. A entrada é franca e os primeiros 100 exemplares serão vendidos ao preço simbólico de R$5.

 

O livro é o terceiro volume da tetralogia Saga do Caminho Novo, em que Barreto recria, de maneira ficcional, a derrocada da Conjuração Mineira de 1789. Os dois primeiros episódios, Os idos de maio e Bardos e viúvas, mostram o momento crítico no qual se desfez a conspiração e o terror que se seguiu às delações e prisões.

 

Em Toque de silêncio em Vila Rica, esse terror imposto à Capitania pelo visconde de Barbacena se consolida, com maior controle sobre a população e novas prisões. Tiradentes encontra-se em uma masmorra na Ilha das Cobras, enquanto os demais líderes do movimento são presos, torturados, perseguidos ou executados. As hipóteses de resistência à repressão se desvanecem, inviabilizadas pelas dificuldades de comunicação entre os inconfidentes ainda livres e os grupos populares.

 

A Inconfidência ganha vida na reconstrução do autor, que cria sua versão dos acontecimentos históricos mostrando, inclusive, personagens secundários e menos conhecidos do grande público, em um panorama rico e complexo de Minas Gerais na época da Conjuração. A partir de extensa pesquisa histórica, Benito Barreto usa sua prosa em estilo único e inconfundível para mostrar os meandros da Inconfidência.

 

Crédito: Romero Ronconi

O autor

 

Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929 na cidade de Dores de Guanhães, Nordeste de Minas. Além de escritor, é também jornalista e empresário.

 

Em sua obra literária, destaca-se a tetralogia Os Guaianãs, formada pelos livros Plataforma vazia (1962), Capela dos homens (1968), Mutirão para matar (1974) e Cafaia (1975). A tetralogia, já em sua 3ª edição, recebeu diversos prêmios e teve dois de seus volumes traduzidos para o russo e publicados na antiga União Soviética em 1980, com tiragem de 100 mil exemplares. A obra foi reeditada em dois tomos pela editora Mercado Aberto, de Porto Alegre, em 1986.

 

Os Guaianãs é uma referência importante da prosa regional brasileira e narra uma heróica história de resistência, tendo como tema principal uma guerrilha rural hipotética nos sertões baianos e mineiros durante as décadas de 1960 e 70. É uma saga moderna, de cunho essencialmente épico, que mostra a fertilidade imaginativa e o vigor estilístico do autor.

 

Barreto publicou ainda Vagagem (1978), que se apresenta como um livro de “viagens e memórias sem importância”; A última barricada (1993), romance em folhetins improvisados, que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de Os Guaianãs; e Um caso de fidelidade (2000), que reflete as incertezas do mundo globalizado e pós-ideológico que se sucede à derrocada do socialismo.

 

Em 2009 e 2010, publicou Os idos de maio e Bardos e viúvas, que fazem parte da Saga do Caminho Novo. A tetralogia recebeu o prêmio “João Felício dos Santos”, concedido pela União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico de 2010.

 

Crédito: Laura Barreto

 

21/03/2011

Informações adicionais e agendamento de entrevistas:

Rachel Barreto (31) 8804-4105 / rachelbarreto@globo.com

 

03
abr
11

Caminho do novo

Stella Leonardos

Poeta e escritora, presidente da Academia Carioca de Letras e secretária-geral da União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro

 

 

Veio-me às mãos sua obra magistral onde imaginação, História e arte – sobretudo lucidez inspirada – se entretecem num mural de vigor e verossimilhança intrínseca. Impressionante.

 

E a coragem vitoriosa no abraçar alto assunto? Tudo em Os idos de maio e Bardos e viúvas nos guia, pulso firme, em Saga do Caminho Novo. Incrível como o autor consegue fazer viver cada personagem. E no ambiente próprio, numa língua – e linguagem – fascinantes. Atraindo. Convencendo. Cláudio Manoel, Gonzaga, Barbara Heliodora, Alvarenga, Frei Lourenço, Padre Toledo, o Montanha, Izidora, ah!… Deste jeito acabo citando os protagonistas um por um.

 

Obra de boniteza e fôlego muito. Que fôlego! Nela os diálogos pensam e personagens sonham e se movem na cauta defesa. Por um fim maior, por uma causa linda. Tiradentes. Liberdade.

 

As ilustrações? Pessoalíssimo Januário. Nasceram para os textos. Impossível imaginar outras, agora.

 

E porque conheci esse romancear histórico incomparável meu louvor fala por mim:

 

 

Como tu que houve

Benito Barreto

de Saga tamanha?

 

Quem te lê te louva.

A Saga és tu mesmo,

Benito que louvas,

a Minas antanha

caminho do novo.

03
abr
11

Epopéia ambientada na Minas inconfidente

Alberto Pinto Coelho

Vice-governador de Minas

 

 

Conheci Benito Barreto por intermédio do embaixador José Aparecido de Oliveira.

 

Se me detivesse a procurar uma expressão de admiração, de respeito, de consideração, de quase paterna amizade, – de idolatria mesmo – pelo saudoso José Aparecido, sei que me faltariam palavras, ia constatar um abismo, coisa que só o sentimento consegue manifestar e dar a verdadeira dimensão. Com tamanho afeto por José Aparecido e, sempre que possível, sorvendo de sua doce companhia, fui brindado também pelo convívio e pela extensão da amizade de diversos de seus inumeráveis companheiros.

 

Um deles era Benito Barreto. Inteligente, condição básica para ser amigo de José Aparecido, falante, articulado, capaz de agradabilíssimas e intermináveis conversas, cujo pano de fundo versava sempre sobre algum aspecto da rica natureza do comportamento humano. Desse modo, Benito Barreto entrou, em definitivo, na minha vida.

 

“Um prefácio para meu novo livro”, pediu-me Barreto.

 

Afinal, que competência vê em mim o Benito para lançar tarefa desta monta, ao “cobrar-me” tamanha prova de carinho e zelo pela amizade ?

 

Bem, como não sou homem de refugar desafios, me despi de pseudas modéstias e, com atenção e interesse, pus-me a folhear os originais deste que é o terceiro volume da Saga do Caminho Novo, que leva o título de “Toque de Silêncio em Vila Rica”.

 

Já conhecedor da capacidade literária de Benito, explícita de modo intenso nos volumes anteriores da mesma Saga, de seu texto vigoroso – contundente por vezes –, mas de uma fluidez que emociona e encanta sempre, vi-me mais uma vez, enfeitiçado pelas palavras, verdadeiros acordes de letras.

 

Tamanha consistência, clareza narrativa e capacidade de envolvimento e comprometimento são atributos raros, mesmo em autores mais famosos que Benito Barreto.

 

Mas o estilo de Benito, amizades à parte, é peculiar e intenso.

 

Dignos de especial registro,– e estou certo que os felizardos leitores da obra concordarão comigo – os diálogos foram tão bem construídos, tão bem estruturados, que conseguem nos passar aspectos sensoriais do enredo, nos remetem a aromas, transmitem ruídos, saltam os silêncios, repercutem as angústias, ficam perceptíveis os dramas e as emoções contidas em cada um dos históricos personagens, como se participássemos, os que leem, ativamente de cada cena revelada.

 

Dono de um prodigioso intelecto, Benito vai tecendo e construindo, nesta epopeia ambientada na Minas inconfidente, um cipoal, uma enorme e conclusiva teia de sentimentos e emoções que nos remetem, de imediato, tal qual maquina do tempo, ao cerne da luta e da motivação daquele homem “ensandecido de esperança” que mencionava nosso líder Tancredo Neves quando se referia, orgulhosamente, ao protomártir da Inconfidência, o herói Tiradentes.

 

Leitura motivadora, da qual o leitor não se afastará sem grande incômodo ou lamento, “Toque de silêncio em Vila Rica” é daqueles livros marcantes, capazes de nos conduzir para outros títulos anteriores deste amigo autor e, também, para leituras adjacentes ao tema, no agradável afã de nos nutrirmos mais da mesma e saborosa temática.

 

Enfim, diante da difícil missão de apresentar a quem o mundo das letras trata com tanta intimidade, atesto, de maneira vibrante, o elevado prazer que nos propõe este notável “Toque de silêncio”. Visto de modo peculiar e inquietante pelo autor, que chega ao ápice de sua portentosa carreira literária, este novo livro de Benito Barreto nos confirma, de modo insofismável, a enorme satisfação que nos proporciona uma boa leitura.

 

28
out
10

Benito Barreto recebeu prêmio por romance histórico na última sexta

A tetralogia Saga do Caminho Novo, do escritor mineiro Benito Barreto, recebeu o prêmio “João Felício dos Santos”, concedido pela diretoria da União Brasileira de Escritores, seção Rio de Janeiro (UBE-RJ), como melhor romance histórico do ano. A solenidade de premiação foi realizada na última sexta-feira, 22 de outubro, no Teatro R. Magalhães Jr., na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

“Fiquei maravilhada com o livro. Benito Barreto é um dos grandes escritores do Brasil de todos os tempos, que mostra em sua obra influências da linguagem do século XVII”, afirmou a escritora Stella Leonardos ao entregar o prêmio. “Transfiro e credito aos ‘varões da Inconfidência’, meus personagens, a honraria e distinção desse tributo ao meu trabalho”, disse Benito Barreto. A solenidade foi presidida pelo escritor Edir Meirelles, presidente da UBE-RJ, e contou com a presença do escritor Marcos Vinícios Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras.

Benito Barreto recebe o prêmio dos escritores Edir Meirelles e Stella Leonardos, presidente e secretária geral da União Brasileira de Escritores / RJ

A obra

Saga do Caminho Novo recria ficcionalmente a derrocada da Conjuração Mineira de 1789. Os personagens da Inconfidência ganham vida na reconstrução do autor, que aliou liberdade criativa a extensa pesquisa e amplo conhecimento do tema para criar sua versão dos acontecimentos históricos. Barreto buscou recriar não só a participação de todos os inconfidentes, mas também de personagens que se esconderam nos interstícios da História oficial.

O primeiro volume da série, Os idos de maio (2009) narra o momento crítico no qual se desfaz a conspiração na rede de delações e prisões que se estende pelo Caminho Novo. Em Bardos e viúvas (2010), o autor retoma a trajetória dos personagens, mostrando o terror que se seguiu às delações e prisões. O terceiro livro da série, já em fase de ilustração e montagem, será lançado em abril de 2011. A saga se completará, com seu quarto e último volume, em 2012.

O prêmio

A UBE-RJ foi fundada em 1958, mesmo ano de criação da união em âmbito nacional, e concede prêmios para obras literárias de destaque desde então. A premiação, atualmente, é anual e ocorre sempre no mês de outubro. Os nomes dos prêmios homenageiam escritores brasileiros e são renovados ano a ano. João Felício dos Santos nasceu em Mendes (RJ), em 1911, e foi um precursor da ficção histórica no Brasil. Publicou mais de 20 livros, como Ganga Zumba, Major Calabar e Ataíde, Azul e Vermelho.

Na edição 2010, a diretoria da entidade concedeu 13 prêmios na categoria nacional e dois na categoria internacional. A comissão julgadora foi formada por Margarida Finkel, Luiz Gondim de Araújo Lins e Stella Leonardos. Na mesma ocasião, foram contemplados os vencedores do Concurso Internacional de Literatura UBE-RJ 2010, nas categorias romance, contos, poesia, infanto-juvenil, crônicas, ensaio e teatro

O autor

Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929 na cidade de Dores de Guanhães, Nordeste de Minas. Além de escritor, é também jornalista e empresário. Em sua obra literária, destaca-se a tetralogia Os Guaianãs, formada pelos livros Plataforma vazia (1962), Capela dos homens (1968), Mutirão para matar (1974) e Cafaia (1975). A série é uma referência importante da prosa regional brasileira e narra uma heróica história de resistência, tendo como tema principal uma guerrilha rural hipotética nos sertões baianos e mineiros durante as décadas de 1960 e 70. É uma saga moderna, de cunho essencialmente épico, que mostra a fertilidade imaginativa e o vigor estilístico do autor.

Barreto publicou ainda Vagagem (1978), que se apresenta como um livro de “viagens e memórias sem importância”; A última barricada (1993), romance em folhetins improvisados, que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de Os Guaianãs; e Um caso de fidelidade (2000), que reflete as incertezas do mundo globalizado e pós-ideológico que se sucede à derrocada do socialismo.

26/10/2010

Informações adicionais: Editora Casa de Minas – Rachel Barreto (31) 8804-4105 / rachelbarreto@globo.com

Foto e vídeo: Laura Barreto

15
ago
10

A paixão da Inconfidência

Ângelo Oswaldo de Araújo Santos

Escritor e prefeito de Ouro Preto

A Inconfidência Mineira é tema que desafia não só os historiadores, porquanto instiga, intrigantemente, a imaginação dos poetas e escritores. Invade a seara da ficção com a desenvoltura própria dos acontecimentos históricos de cuja intimidade todos privamos e que, por isso, estão aptos a se reinventar continuamente, enquanto quedamos crédulos, mais ainda seduzidos pelos protagonistas de uma história que é nossa.

Aceitamos, de bom grado, a idéia de já termos virado partícipes da trama. Somos testemunhas dos fatos e compartilhamos com o narrador os seus segredos, comprovando, na emoção da leitura, a autenticidade do relato no epicentro da saga. Preferimos o romance ao compêndio historiográfico.

E isso vai longe. Leia-se Abelardo Arias, escritor argentino que, fascinado pela Conjuração de 1789 e pela figura do Aleijadinho, enredou-os numa epopéia que se publicou em Buenos Aires, faz pouco mais de trinta anos. Entre os autores montanheses, Gilberto de Alencar e Maria José de Queiroz nos falam do Tiradentes como se ele estivesse à nossa espera, na estalagem da Varginha do Lourenço, ou em disparada nos versos de Cecília Meireles como um centauro apaixonado, cuspindo sangue na palavra abrasiva em que arde a elegia de Dantas Mota.

Benito Barreto radicaliza o mergulho na Inconfidência. Raro encontrar-se tamanha imersão nesse quadro histórico. Ele desce às profundezas do mar de montanhas, navega nas nuvens barrocas, desembesta pela Estrada Real, volve do Rio ao Caraça, contorna o Sapucaí, vara o Mato Dentro e sobe ao Serro do Frio, entrecorta os campos del Rei até Prados. E ressurge na soleira da Casa dos Contos de Vila Rica de Ouro Preto, exausto, mas arrebatado e delirante como o alferes.

Depois do primeiro livro sobre as Minas do final do Setecentos e sua estremecida conspiração libertária, o escritor volta à cena da rebeldia. Adentra as casas trancadas, escancara vedadas janelas e flagra o contratador João Rodrigues de Macedo nos umbrais da prisão e no milagre da alforria. Dona Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira o esperava para esse grande acerto.

Todos estão embuçados. É o terror. Descortina-se o pesado véu das viúvas, para que seus rostos esquálidos reflitam, como sudários, o drama do abandono, depois da delação e do exílio. A tortura dos heróis lateja no corpo dorido dos que ficaram, o ostracismo se internaliza naqueles que se exilaram em suas próprias moradas. Marília, menina noiva morta viva, as viúvas renascidas, Bárbara, Hipólita Jacinta, Rita Quitéria – as mulheres tomam o lugar dos acorrentados, as musas viram guerreiras em defesa da vida.

O romancista projetou, inicialmente em três, mas já agora em quatro grandes lances, o resgate da tresloucada aventura dos mineiros, matéria tremenda da Saga do Caminho Novo. Depois de Os idos de maio, com as convulsões do conflito iminente, Barreto estende, nas páginas de Bardos e viúvas, segundo painel do quarteto, as visões do pandemônio em que transformou a Capitania sitiada.

João Rodrigues de Macedo, construtor da elegante e faustosa mansão da rua de São José, transformada em prisão dos bardos, atravessa a noite de Vila Rica. Será que apenas o brazialinista Kenneth Maxwell iria suspeitar de seu comprometimento? Benito Barreto surpreende Macedo no redemoinho, cola-se a ele e o acompanha para conduzi-lo ao seu verdadeiro papel na cena.

Os romances do “quattuor” inconfidente têm o ritmo sedutor dos folhetins e novelas, na sucessão dos episódios palpitantes em que a gente mineira prepara e vivencia a revolta. Viúvas e bardos conversam agora conosco e nada escondem sobre os secretos caminhos por onde se homiziou a liberdade, perseguida pelos dragões e seus viscondes. São mulheres e homens que deram à luz um país e seus gerais, imenso como um mundo novo.

Angelo Oswaldo de Araújo Santos nasceu em Belo Horizonte. É prefeito reeleito de Ouro Preto, jornalista, escritor, curador de arte, advogado e gestor público. Foi secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais, presidente e conselheiro do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e chefe de gabinete do Ministério da Cultura, além de integrar o Conselho do Patrimônio Cultural da Prefeitura de Belo Horizonte. Membro da Academia Mineira de Letras, dedica-se ao estudo da história e da arte de Minas Gerais. Atuou em diversos veículos de imprensa no Brasil e no exterior, destacando-se seu trabalho como editor do Suplemento Literário de Minas Gerais e do caderno de cultura do Estado de Minas.




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