Ano: 2000
Editora: Itatiaia
Capa: Januário
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Primeira Edição:
Ano: 1968
Editora: Gráfica Record Editora
Capa: Ziraldo
Segunda Edição:
Ano: 1976
Editora: Interlivros
Capa e ilustrações: Januário
Livro traduzido para o russo
Capela dos Homens é livro de ação em que ressoa muito da revolta característica de nosso tempo, fato que, por si só, não bastaria para singularizar o romance de Benito Barreto, isto porque a literatura, via de regra, tem na insatisfação e no desespero humanos a sua matéria-prima.
Torna-o singular o tratamento pessoal, algo brumoso, com que o autor trabalha o seu mundo ficcional, território e gentes com vida própria na apreciação do crítico Antônio Olinto e dos quais o grande Guimarães Rosa dizia que cheiram fortemente a terra e a mato. Aqui a revolta não é uma explosão circunstancial: apresenta-se, antes, como estado de espírito, uma opção existencial ou posição do homem diante da vida e dos poderes com os quais nos defrontamos no mundo moderno.
O romance apresenta-se formalmente estruturado em duas partes – a primeira uma reconstituição, em contraponto, que transporta o leitor ao passado obscuro de Capela dos Homens, violento e torvo, desde que marcado pela presença física do Demônio, e como que o prepara para a segunda parte – a semana que se segue, dia após dia, à volta ao lugar de uma espécie de filho pródigo, certo jovem em cuja pessoa o médico local vê o elemento de combustão destinado a deflagar o incêndio da tragédia.
O contexto, vasto painel em dois planos, põe o leitor em convivência com uma galeria de tipos que é talvez das mais vigorosas encontradas em um só livro, na literatura brasileira contemporânea, – homens e mulheres cuja humanidade, a despeito de termos de adivinha-lo, às vezes, se afirma na violência do amor, do ódio, na passionalidade com que buscam a justiça ou na força com que se aferram aos seus valores, até mesmo na violência do seu desânimo.
Dir-se-ia que aí o conflito estala porque o amor não quer fronteiras e a liberdade não aceita limitações, ou já não as aceita· porque – e quem diz é Sílvio Guaianã, figura de anti-herói ou herói da revolta sem esperança:
- O tempo está maduro para o homem.


