Ano: 1974
Editora: Interlivros
Capa: Ziraldo
Sendo o terceiro volume da tetralogia Os Guaianãs, Mutirão Para Matar, de Benito Barreto, representa, para o autor, um avanço da técnica ficcional e para o público, vigorosa reafirmação da linha narrativa vinculada ao regionalismo. A um regionalismo que através da conscientização humanística atinge o vasto plano maior do universal. Livro que transfunde a linguagem referencial – mimética em sopro humano numa visão lírica do homem – Mutirão Para Matar revela também um dimensionamento, ao nível da ficção, da tragédia maior do nosso tempo, no Brasil e fora dele – a tragédia da violência desencadeada e generalisada como forma de vida peculiar às comunidades contemporâneas.
Estribando sua narração em dois focos discursivos primordiais – a primeira pessoa (visão do personagem) e a terceira pessoa (visão do autor), o romancista tece sua estrutura partindo do embasamento fundidor dos dois planos narrativos que galvanizam emoções e fatos de um grupo de homens cercados pelas forças da violência criminosa até nos levar ao plano metafórico da analogia: são apenas estes homens que estão cercados, ou antes - este é o espetáculo do cerco de milhares de homens do mundo inteiro? Livro que busca captar e expressar o que há de mais fundo e permanente no ser humano – seu sonho de liberdade e seu direito à vida – Mutirão Para Matar significa ainda um avanço para a literatura nacional de filiação romântico-naturalista de cunho social que percorre todo o nosso processo literário, atingindo agora um nível de maturidade e domínio da linguagem que se faz poética sem perder sua função denotativa de explicitar as substâncias temáticas da obra.
O mutirão que se passa em um sertão puramente imaginário, um sertão que não há, está, entretanto, vivo e presente em tudo que há e que vemos e percebemos em torno de nós, em torno de todos.
O romance tem seu desenvolvimento num quarto volume, CAFAIA, o Diabo do Povo, que autor e editora nos prometem para breve.
Fritz Teixeira de Salles
