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16
abr
09

Plataforma Vazia

Primeira Edição:
Ano: 1962
Editora: Itatiaia
Capa: Haroldo Mattos

Segunda Edição:
Ano: 1977
Editora: Interlivros
Capa: Branca de Castro

PLATAFORMA VAZIA

Um livro de estréia deve ser a revelação de um talento de escritor; nada mais é justo esperar de uma primeira tentativa no terreno da arte da literatura. «Plataforma Vazia», de Benito M. Barreto, cumpre perfeitamente esta função: revela aos leitores brasileiros o romancista de talento e de autêntica vocação que é o moço mineiro com larga experiência de vida nordestina.

Ultrapassa, porém, e de muito este marco inicial e básico: sem abandonar o aspecto documental e sem despreocupar-se de uma ação exterior, aprofunda a caracterização psicológica dos personagens, o que lhe confere atualidade no quadro geral de nossa criação literária. E não apenas por esta característica o romance de Benito M. Barreto tem legítimo e real interesse, dando importância a esta estréia. Também pelas suas inegáveis qualidades de realização, seja de língua literária. – que certes «achados» valorizam -, seja de capacidade de elaboração do tema, seleção e disposição de seus elementos com aguda sensibilidade para os problemas de tempo, espaço e ação em que se assenta a arquitetura do romance. Ao romancista não basta a condição inicial de talento e vocação: cumpre ajustar o talento e a vocação, desenvolvendo-os, ao conhecimento do ofício a exigir bom artesão.

A primeira parte do livro, um corte bem feito numa viagem de trem, dá a justa medida das qualidades do autor: apresenta e movimenta com segurança os tipos mais diversos, através de válidas soluções técnicas, com grande força e colorido, sabendo imprimir a essas cenas um ritmo preciso. Seus dons de observador sensível e sua experiência humana têm largo emprego em benefício da criação de um momento de ação impressionante por sua complexidade, no qual os tipos têm lugar certo e bem marcado. Na primeira parte do livro já o romancista se afirma completamente, sem deixar dúvidas sobre suas possibilidades e sobre a autenticidade de sua vocação. E já o livro encontra seu lugar em nossa literatura.

A segunda parte, mais longa, de ritmo propositadamente mais lento, propõe, sobre o pano de fundo do sertão de sol duro, os problemas de um drama simples e humano, profundo. Também aqui o autor alcança soluções técnicas que apontam, no estreante, uma rara consciência de meios. O romance se completa com sofrida grandeza de solidariedade humana, e, ao terminar a leitura, desapareceu para o leitor o estreante para ficar a certeza do encontro cem um romancista que tem ainda muito a dizer, rico de vida vivida e de consciência literária.

Poderosa é a capacidade de comunicação de sentimentos revelada pelo autor, o que faz de «Plataforma Vazia» um desses livros cuja leitura nos arrasta e nos obriga a participar, cem interesse e emoção, das vidas ali levantadas por um homem de real talento e de coração generoso. A carreira desse romancista se inicia sob o signo do sucesso.




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