Escritor Benito Barreto comemora 80 anos com lançamento de trilogia
O escritor mineiro Benito Barreto lança, no dia 27 de abril, o romance histórico Os idos de maio, em que recria, ficcionalmente, a derrocada da Conjuração Mineira de 1789. O lançamento acontecerá a partir das 19h30, no foyer do Palácio das Artes, avenida Afonso Pena, 1537, Centro, Belo Horizonte/MG.
Os idos de maio narra o momento crítico no qual se desfaz a conspiração na rede de delações e prisões que se estende pelo Caminho Novo. Criado no século XVIII, o Caminho é uma variante da Estrada Real e dava acesso à região de Minas Gerais na época do Brasil Colônia, ligando Vila Rica ao Rio de Janeiro.
Os personagens da Inconfidência ganham vida na reconstrução ficcional do autor, que aliou liberdade criativa a extensa pesquisa e amplo conhecimento do tema para criar sua versão dos acontecimentos históricos. Barreto buscou recriar não só a participação dos inconfidentes mais notórios, mas também de personagens que se esconderam nos interstícios da História oficial ou que estiveram à margem dos acontecimentos.
Ao percorrer junto com esses personagens os momentos cruciais da conspiração, o autor se propôs jamais extrapolar os limites da verossimilhança com a realidade factual e existencial da Inconfidência. O livro é a primeira parte da trilogia Saga do Caminho Novo, que abordará ainda o terror e os despojos que se seguiram à queda e à prisão dos integrantes do movimento.
O autor
Benito Barreto nasceu em 17 de abril de 1929 na cidade de Dores de Guanhães, Nordeste de Minas. Além de escritor, é também jornalista e empresário.
Em sua obra literária, destaca-se a tetralogia Os Guaianãs, formada pelos livros Plataforma vazia (1962), Capela dos homens (1968), Mutirão para matar (1974) e Cafaia (1975). A obra, já em sua 3ª edição, recebeu diversos prêmios e teve dois de seus volumes traduzidos para o russo e publicados na antiga União Soviética em 1980, com tiragem de 100 mil exemplares. A tetralogia foi reeditada em dois tomos pela editora Mercado Aberto, de Porto Alegre, em 1986.
Os Guaianãs é uma referência importante da prosa regional brasileira e narra uma heróica história de resistência, tendo como tema principal uma guerrilha rural hipotética nos sertões baianos e mineiros durante as décadas de 1960 e 70. É uma saga moderna, de cunho essencialmente épico, que mostra a fertilidade imaginativa e o vigor estilístico do autor.
Barreto publicou ainda Vagagem (1978), que se apresenta como um livro de “viagens e memórias sem importância”; A última barricada (1993), romance em folhetins improvisados, que reúne colunas publicadas no jornal Estado de Minas e anotações inéditas, em que ainda ressoam temas e personagens de Os Guaianãs; e Um caso de fidelidade (2000), que reflete as incertezas do mundo globalizado e pós-ideológico que se sucede à derrocada do socialismo.
Rachel Cardoso Barreto